Autoras negras que você deveria conhecer!

Se as mulheres escritoras fossem homens escrevendo a literatura que elas escrevem, seriam mais conhecidas. A afirmativa muito conhecida atravessa os tempos e, mesmo que as escritoras nunca tenham sido tão lidas quanto agora, ainda há enormes lacunas a serem preenchidas. Movimentos como o “Leia Mulheres”, espalhados por todo o mundo, estimulam leitores a conhecer mais o que por elas é produzido.
Ainda assim, se leitores têm optado por mulheres, a literatura negra ainda é vista como um nicho separado: escritoras negras são poucos traduzidas e pouco publicadas no Brasil. Aquelas que conseguem transpor as barreiras corrigem o estereótipo da mulher negra, expõem a realidade diária e refletem sobre a opressão a partir da literatura memorialística, do feminismo negro e da ficção cientifica.

No universo das iniciativas para promover obras de autoras mulheres, de olho nos relançamentos e lançamentos dos últimos anos no mercado editorial brasileiro, te convido a viajar por elas e suas histórias.

Alice Walker
Se você não assistiu “A Cor Púrpura”, pare o que está fazendo agora. A obra que inspirou o filme foi escrita por Walker, vencedora do Pulitzer. O romance retrata a dura jornada de Celie, uma mulher negra no sul dos Estados Unidos, no século XX. Vendida para um marido agressivo enquanto ainda era adolescente, a personagem foi abusada ao longo de toda sua vida. Sua trajetória propõe reflexos sobre as relações de amor, ódio e poder.

Angela Davis
A ativista política discute em muitas de suas obras sobre as condições das mulheres, da classe trabalhadora e da população negra nos Estados Unidos. Ela discute desigualdades e o enfraquecimento das lutas sociais no mundo.

Buchi Emecheta
Muito tempo foi necessário para que as obras de Buchi fossem traduzidas para o português e publicadas no Brasil. Prometida para casamento aos 11 anos, viveu um relacionamento abusivo, teve cinco filhos e se separou. Ainda assim, conseguiu se graduar pela Universidade de Londres e trabalhou para manter sozinha a família abandonada pelo pai. Seus romances abordam as dificuldades de ser mãe e imigrante a luta das mulheres africanas na sociedade patriarcal. “As Alegrias da Maternidade” questiona o papel da mulher enquanto mãe.

Carolina Maria de Jesus
O diário da catadora de papel é sua obra mais conhecida. Em “Quarto de Despejo: diário de uma favelada”, a autora discorre sobre seu cotidiano triste e cruel na comunidade do Canindé, em São Paulo, com seus três filhos. O olhar sensível sobre o que viu, viveu e sentiu tornam a obra muito dura, mas essencial.

Chimamanda Ngozi Adichie
Escritora nigeriana é um dos grandes nomes da literatura contemporânea e se autointitula uma “feminista feliz que ama a África e não odeia os nomes” (o TED com ela é um presente para a humanidade e está disponível aqui). Em suas obras, ela versa sobre a desigualdade racial, conflitos religiosos, relações familiares, a existência das mulheres e as estruturas que atravessam a sociedade nigeriana.

Conceição Evaristo
Nascida em Belo Horizonte, a autora é participante ativa dos movimentos de valorização da cultura negra e e um dos grandes nomes da academia brasileira. Suas obras são versáteis e trazem à baila mulheres protagonistas, o drama das comunidades faveladas e a resistência à pobreza e à discriminação.

Maya Angelou
Todo mundo que convive comigo ou me acompanha nas redes sociais sabe que a obra-prima de Angelou mexeu bastante comigo. “Eu sei por que o pássaro canta na gaiola” é a história de uma garota negra criada no Sul dos Estados Unidos por sua avó paterna e que têm a literatura como seu único alento.

Octavia Butler
“Grande Dama da Ficção Científica”, é assim que a autora é conhecida. Contra pobreza, dislexia e racismo, Butler conquistou sucesso em um gênero da literatura majoritariamente dominado por homens. Suas heroínas negras mergulham em histórias que falam sobre raça, empoderamento feminino, divisão de classes e sexualidade.

Toni Morrison
Romance de estreia da autora americana viaja pela história de Pecola Breedlove, uma menina negra que sonha em ter olhos azuis como os da atriz Shirley Temple. Aos doze anos ela é ridicularizada na escola por ter a pele mais escura que as outras crianças, é estuprada e engravida. Morrison foi a primeira mulher negra a ganhar o Nobel de Literatura.

Lê outras? Compartilha comigo aqui nos comentários ou lá no @instajanarabelo

 

Outros blogs

Repertório de bolso no ENEM Saiba mais sobre o erro que pode prejudicar a sua nota em 2026
O ENEM 2026 está mais próximo do que parece: o que a sua dedicação aos estudos já construiu até agora?
Guia de redação ENEM 2026: o que você precisa saber antes de começar a estudar?