Como fazer uma redação sobre impactos sociais da falta de representatividade na literatura

O Mês do Orgulho LGBTQIA+ traz à memória a luta histórica de tais populações pela garantia de direitos básicos. Discussões ligadas à representatividade desses grupos e às violências contra eles praticadas no Brasil são questões urgentes para o ENEM, e cruzam dois diferentes eixos temáticos da redação: minorias e intolerâncias; e diversidade e identidade cultural brasileira. A opressão às populações LGBTQIA+ cabe em um sem número de temas da redação e um deles é: “Impactos da falta de representatividade na literatura”.

Majoritariamente, os livros publicados, comercializados e lidos são escritos por homens de origem ocidental, brancos e heterossexuais (quantos livros escritos por pessoas LGBT você já leu?). Cabe, portanto, na discussão sobre a pouca representatividade na literatura recortes de gênero, raça e sexo. Uma dica para começar a redação é elaborar duas teses: uma por responsabilização, antecipando quais são as causas e os responsáveis pelo problema; e a outra por problematização, indicando quais as consequências. Sugiro também que o desenvolvimento seja feito por causas e consequências.

Dois conceitos interessantes para a construção das teses são o “capital cultural”, cunhado por Pierre Bourdieu, e o “epistemicídio” presente na obra de Boaventura Sousa Santos. O primeiro refere-se à análise de diferentes classes sociais detêm repertórios culturais próprios, entretanto, nem todos os capitais têm o mesmo status e reconhecimento perante a sociedade – portanto, há uma ideia de elitismo ou classicismo. Já o conceito de epistemicídio diz respeito à morte de um conhecimento – ou seja, culturas minoritárias enfrentam o desaparecimento de seus saberes.

Quer mais? Falei detalhadamente sobre representatividade na literatura no meu canal do Youtube (/janarabelo). Para os que querem escrever a partir de recorte da LGBTQIA+ recomendo a leitura de “Terra Estranha”. Obra-prima de James Baldwin, o livro mergulha em relações complexas de raça, nacionalismo, bissexualidade e depressão.

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